quinta-feira, 5 de abril de 2012

Empenho de Vida – abril 2012

“SENTIR” A PRESENÇA DE DEUS"
“Fale com Ele”

”Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20)

Neste mês do ano celebrativo concentraremos nossa atenção espiritual na presença de Deus em nossa vida contemplando o ícone, escolhido por pe. Ottorino, de Jesus com o rosto sorridente e, na cabeça, com a coroa de espinhos que... está florescendo. Debaixo do ícone, pe. Ottorino mandou escrever o convite dirigido a cada um de nós: “Fale com Ele” para lembrar-nos que Ele está sempre presente e vivo em nós e entre nós, pronto para ajudar-nos.
O texto bíblico a ser traduzido em vida concreta é o de Paulo na carta aos Gálatas: ”Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim”. Nesta expressão está contida a experiência da presença de Cristo na vida de Paulo, vivida com uma tamanha identificação com a vida de Jesus, que lhe faz “sentir” que seu eu se tornou uma coisa só com o eu de Cristo. É uma linguagem mística, à primeira vista difícil de entender, mas que descreve o que acontece em cada batizado, que está totalmente imergido em Cristo e identificado com Ele. Porém não basta ser batizados. O sacramento, certamente, nos dá toda a graça da presença de Cristo e, nEle, da Trindade; mas ela deve penetrar na profundeza de nosso ser para que possa ser “sentida” como parte integrante da própria realidade pessoal. Isso acontece quando começamos um sério caminho espiritual, que nos permite alcançar a profunda união com Deus. Neste caso o “sentir” sua presença é muito mais do que um fato emotivo, é tornar-se ‘um’ com Ele.
Pe. Ottorino compara esta relação com Cristo com a de um casal que, nos momentos de intimidade e de diálogo, no começo e no término de cada dia, mantém viva a unidade entre ele, que permanecerá inalterada também quando estiverem longe um do outro no meio das atividades quotidianas. Pe. Ottorino afirma que Jesus deve ser, para nós, uma pessoa “sempre presente”, “conhecida”, “amada”, “seguida incondicionalmente” (ver texto abaixo). Esta busca contínua de viver à presença de Jesus em nós e entre nós é a que nos transforma nEle, tornando-nos o “Cristo vivente”. Então, realizar-se-á uma “fusão com o Cristo”, de modo que não seremos mais nós, mas o Cristo através de nós, a cumprir Sua missão no meio dos homens.

Como viver, então, a Palavra do Empenho de Vida deste mês?

Parando para contemplar na meditação da manhã e nos cinco minutos da noite, o ícone do “Fale com Ele”, para que seja sempre mais Ele a viver em nós.

A presença de Deus em sua vida

Você deve sentir a presença de Deus em sua vida. Jesus, para você, deve tornar-se uma pessoa sempre presente, conhecida, amada, seguida incondicionalmente. Deve senti-Lo com você de manhã logo que abrir os olhos ao novo dia e deve cumprimentá-lo com alegria, como o esposo cumprimenta a esposa ao acordar. Deve informá-Lo e questioná-Lo sobre o teu trabalho apostólico. De Sua luz devem vir os teus pensamentos, palavras e ações. À noite, com Ele encerrará o dia, na intimidade de seu quarto. Se você não conseguir ter tamanho íntimo contato com Cristo, vivendo em estreita união com Ele até poder afirmar com Paulo ”Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20), não será o Cristo vivente e, portanto, comprometerá sua missão entre os irmãos. Todo o resto é válido, útil e necessário, somente se esforça-te para realizar esta fusão com o Cristo amado, vivido e ardentemente desejado). (Pe. Ottorino, 4º testamento)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Empenho de Vida – março 2012

Empenho de Vida – março 2012

“Humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fil 2,8).
O ícone a ser contemplado neste mês é o de Jesus na cruz, representado no antigo e lindo crucifixo da cripta da Casa da Imaculada, ao lado do jazigo de pe. Ottorino. É um crucifixo que expressa com realismo toda a dramaticidade da paixão e morte de Jesus, mas que anela à ressurreição e à ascensão. A palavra do Empenho de Vida é a da kénosis de Jesus: “Humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”. É uma palavra que nos acompanha ininterruptamente a começar do último Capítulo geral, mas que, neste mês, em sintonia com o tempo quaresmal, queríamos viver com particular intensidade.
Paulo, retomando, provavelmente, um hino litúrgico das primeiras comunidades cristãs, em poucas e densas palavras, sintetiza a parábola descendente de Deus que, uma vez tocado o fundo do abismo, na morte, dá início à parábola ascendente até ao esplendor da glória. As duas parábolas são parte de um único movimento circular que é o do amor de Deus, que se realiza desde sempre no interior das relações trinitárias, mas que se fez carne e história em Jesus, filho de Deus, vindo entre nós. No âmago deste movimento, há uma morte que dá vida, uma morte que é somente puríssimo amor, uma morte que é toda doação. Nunca poderíamos ter conhecido este imenso amor de Deus, se não o tivéssemos visto no amor de Jesus na cruz.
Desde então, neste turbilhão de amor, Jesus continua a atrair cada um de nós, a fim de que, também nós, possamos viver nossas “paixões e mortes” como amor. Nesta difícil aprendizagem pe Ottorino nos toma pela mão e nos ajuda a introduzirmo-nos sem medo no mistério do sofrimento e da morte e nos diz, sem rodeio de palavras, que se não “aprendermos a sofrer” seremos bloqueados por uma tuberculose espiritual que não nos permitirá de respirar livremente (ver texto abaixo). Não significa tornarmo-nos masoquistas, e nem de colocarmo-nos num esforço espiritual que consiga fazermo-nos experimentar que, na fé, a dor não seja mais dor, que o sofrimento não seja mais sofrimento, que a morte não seja mais morte. Trata-se, ao contrário, que nas muitíssimas formas de dor, de sofrimento e morte que nos será dado de viver, nos deixamos perpassar pelo amor. O místico pe. Ottorino usa por isso a linguagem do amor. A cruz está aí para ser beijada, para ser abraçada, até para ser desejada, porque neste beijo e neste abraço, beijamos e abraçamos ao Senhor.

Como viver, então, a palavra do Empenho de Vida deste mês?
Fazendo toda semana deste mês a Via Sacra, como exercício de reza pessoal, parando, como pe. Ottorino sugeria, a cada semana, em modo particular, numa estação específica.

Saber beijar a cruz
Meus irmãos, é necessário olhar os acontecimentos com o olhar da fé. Vocês devem fazer uma ginástica particular, a do sofrimento; devem aprender a saber sofrer, caso contrário, se tornarão todos espiritualmente tísicos (tuberculosos). Se não fizerem esta ginástica, se não se acostumarem a dizer, como são Felipe Neri: “Agradeço a Deus de ter feito que as coisas não sejam do meu jeito”, se não se acostumarem a beijar a cruz dizendo: “Senhor, seja feita Sua vontade! Senhor, obrigado porque me faz sofrer; me ajude a sofrer por Seu amor! Senhor, se necessário for, pelas almas estou disposto a sofrer ainda mais!, se tornarão espiritualmente tísicos.
Devem procurar a maneira de ficar com saúde, porque têm o dever de trabalhar pelo Senhor, porém, devem saber aceitar com amor as cruzes, as incompreensões, os fracassos, as coisas tortas, tudo o que custar. Saibam dizer: “Senhor, seja feita Sua vontade”. (Med. de pe. Ottorino de 31 de maio de 1967).

sexta-feira, 2 de março de 2012

EMPENHO DE VIDA – fevereiro 2012

EMPENHO DE VIDA – fevereiro 2012

SANTIFICAR O TRABALHO
“Exorto-vos a oferecer os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12,1).
No ícone deste mês, escolhido pelo VII Capítulo de 2003 e dedicado ao tema da “santificação do trabalho”, contemplamos a José, Maria e Jesus, unidos no trabalho na pequena casa de Nazaré. E a Palavra do nosso Empenho de Vida, tomada da Carta de Paulo aos Romanos, nos propõe de viver a nossa vida e, nela, o nosso trabalho, como expressão do nosso “culto espiritual” a Deus. Escreve Paulo: “Exorto-vos a oferecer os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. Paulo, antes severo e escrupuloso observante da lei judaica, que tinha o seu centro na fidelidade aos ritos litúrgicos do templo, agora com o coração sarado e transformado pela luz do encontro com Cristo, que lhe fez conhecer a ternura de Deus, quer falar a todos que a própria vida é o lugar da oferenda a Deus. De fato, o oferecimento do “nosso corpo” a que nos exorta é o oferecimento de tudo o que nós somos e vivemos: o nosso ser, o nosso eu, a nossa sensibilidade, as nossas relações, o nosso trabalho. Não há nada em nós que escape à possibilidade de um “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. Porque o “verdadeiro sacrifício que podemos celebrar é o de doar a Deus e aos irmãos, a nossa vida para podermos vivê-la em abundância (cfr Jo 10,10) e para que a nossa alegria seja plena (cfr Jo 15,11).
Pe. Ottorino, homem de Deus e homem entre os homens, que por inclinação natural e por vocação, esteve sempre próximo à vida que o povo vivia, todos os dias, na família e no trabalho, estava atraído por uma espiritualidade do trabalho que pudesse levar à santidade o que na aparência era somente profano. Esta atração pelo humano santificado pela “santidade por meio do trabalho” comunica-a com a vivacidade e da forma incisiva que lhe são habituais quando descreve a vida dos três em Nazaré (ver texto abaixo). Nesta descrição paira um sentido de profunda unidade entre José e Maria com Jesus no meio deles, num entrelaço de trabalho e oração, “onde se obedece, ama-se a Deus e o trabalho se torna cântico de amor”, que faz da casa de Nazaré um santuário.
Porque é realmente o amor que faz a diferença. Também para nós é assim. Há muitas maneiras de trabalhar. Mas para que possamos experimentar que “o trabalho é uma coisa santa” devemos pôr nele o amor que tem suas raízes em Deus, em Sua presença em nosso meio, inclusive quando enfrentamos as fadigas do nosso trabalho quotidiano e de todas as nossas atividades.

Como, então, viver a Palavra do Empenho de Vida deste mês?
Rezando a oração de oferta do trabalho com atenção, parando para meditá-la em seus diferentes aspectos: colaboração na obra criadora de Deus, meio de redenção, serviço e solidariedade.

Quanta santidade há por meio do trabalho!
Meus filhinhos, como é uma coisa santa o trabalho de José! Também Jesus, alcançada uma certa idade, se associa ao trabalho de José, e trabalham juntos, enquanto Maria prepara as refeições e, também ela, ajuda no serviço. A casa de Nazaré é uma pequena fábrica, é um pequeno santuário, onde o trabalho e a oração são entrelaçados juntos, onde se obedece a Deus, onde se ama a Deus, onde o trabalho se torna um cântico de amor. Meus filhinhos, quando Jesus é crucificado, é despojado de suas vestes, as suas roupas são repartidas e a túnica é tirada em sorte para não ser cortada. Fala a tradição que aquela túnica foi preparada por Nossa Senhora. Eu acho que, se era de lã, a lã foi comprada com o dinheiro ganho por São José e confeccionada por Maria: Jesus estava vestido com o suor de José e de Maria, e, também, com o dEle... colaboravam juntos! E, então, vocês podem ver quanta santidade pode-se alcançar por meio do trabalho, que coisas maravilhosas pode produzir o trabalho! (Med. de pe. Ottorino de primeiro de maio de 1965).

EMPENHO DE VIDA – janeiro 2012

INTRODUÇÃO DO EMPENHO DE VIDA

Para introduzir-nos a viver com intensidade a Palavra dos Empenhos de Vida destes três meses do nosso ano celebrativo, em que a Palavra a ser vivida faz referência a pontos essenciais do carisma de pe. Ottorino e nosso, escutemos o que ele nos diz sobre a atitude certa que devemos ter com a Palavra.
Jesus nos diz: “Em verdade vos digo: quem não acolhe o Reino de Deus com a alma de um menino, não entrará nele” (Lc 18,16-17). Por isso devemos acolher as coisas de Deus com a alma de uma criança... A simplicidade da criança consiste em tomar o Evangelho na mão e observá-lo como quer o Senhor. O Senhor quer que vivamos o Evangelho, que testemunhamos o Evangelho. Devemos recorrer ao Evangelho assim como ele é, como o quis o Senhor. Não devemos conhecê As palavras do Evangelho apenas para poder soltar sentencias, mas para vivê-las. Estamos aqui para vivê-las, não para saber dizê-las, mas para vivê-las! As palavras que estão escritas no santo Evangelho devem ser tomadas com a simplicidade de uma criança e vividas integralmente. Jesus falou assim, Jesus quer assim: eu devo fazer assim!
O instrumento do Empenho de Vida, que pe. Ottorino nos deixou, não é nada mais do que isso: viver as palavras do Evangelho com a simplicidade de uma criança e com a mesma simplicidade fazer comunicação entre nós, para nossa edificação e para dar glória de Deus pelas maravilhas que Ele realiza em nós quando vivemos estas palavras.
Como sempre, fazemos votos recíprocos que nestes três meses, em nossa Família se produzam muitos frutos por causa da vivência em comum da Palavra de Deus. Bom Empenho de Vida!

EMPENHO DE VIDA – janeiro 2012

ESTOU NO MEU LUGAR CERTO?
“Fala, Senhor, porque teu servo escuta” (1 Sam 3,10)
Continuando nossa caminhada do ano celebrativo, neste mês seremos guiados pela pergunta chave que pe. Ottorino colocou no centro de seu itinerário espiritual e carismático: “Estou no meu lugar certo?”. Manteremos na frente de nossos olhos o mosaico com as duas pedrinhas fora do lugar, que ele próprio mandou compor e que, ainda hoje, encontra-se na entrada da Casa da Imaculada,
Para responder a esta decisiva pergunta queremos deixarmo-nos inspirar pela Palavra escolhida para o nosso Empenho de Vida: “Fala, Senhor, porque teu servo escuta”. É a resposta do jovem Samuel, que mora no templo, quando durante a noite escuta uma voz que o chama pelo nome. Não reconhece que é a voz de Deus, porém o velho sacerdote Eli ajuda-o a entender isso. Eis, então, que Samuel se coloca logo na escuta. E Deus revela-lhe o seu plano sobre ele a fim de renovar a fé do povo de Israel que se estava apagando.
Nós, também estamos prontos para dizer ao Senhor que nos fale porque queremos escutá-lo para estar sempre no nosso lugar certo. Pe. Ottorino nos orientará com seu programa de vida escrito como comentário ao mosaico (ver texto abaixo). Como mestre de vida que é, ele convida cada um de nós a dizer insistentemente a si mesmo, até que se torne o sentido único de sua existência e o permanente respiro de sua alma; “Existo porque sou amado por Deus, o qual tem um projeto sobre mim. Eu me realizo se acolho este projeto e me deixo guiar por Ele na aventura da vida. Não sou eu a construir o meu projeto, mas sei que aquele que, desde sempre, me ama, o pensou especialmente para mim como o dom maior para mim. Se serei obediente àquele Amor, descobrirei ser único e irrepetível, de ter uma parte insubstituível na dança da vida e de poder dar ao mundo o melhor de mim. E nunca se apagará em mim a lâmpada da alegria.”
Este caminho do amor é o caminho de Jesus e de Maria, que amaram até o fim, sem segurar nada para si. Sua vida foi pura obediência, puro amor e, por isso, pura alegria. A luz da ressurreição, que iniciou a iluminar já no alto da Cruz, e se difundiu pelo mundo, é a luz que alcançou e atraiu a nós, também para que, por nossa vez, possamos difundi-la.
Estaremos no nosso lugar certo se em cada momento, como fosse a primeira vez, recomeçarmos a dizer em toda circunstância: “Fala, Senhor, porque o teu servo te escuta”.
Como viver, então, a palavra do Empenho de Vida deste mês?
Repetindo, quotidianamente, no começo do dia, as palavras de pe. Ottorino, citadas mais abaixo, como comentário ao mosaico “Estou no meu lugar certo?”, para fazer delas a respiração de nossa alma.
Feito obediente
Existo por um ato eterno de amor e de vontade de Deus.
Apareci no tempo para realizar um projeto que Deus tem sobre mim.
Não devo opor-me à atuação do projeto que Deus tem sobre mim (Anunciação)
Por meio dos acontecimentos Deus me guia à atuação do projeto que Ele tem sobre mim. (Nascimento em Belém).
Aniquilou a si mesmo
Jesus e Maria realizaram perfeitamente o projeto do Pai (Calvário)
No Calvário, frente a Jesus e Maria, com a fronte em terra, me abandono ao projeto do Pai. A luz da Cruz me atrai como meio de redenção para mim e para os irmãos.
Ide e pregai
O amor me empurra a chamar todos os homens a estar em harmonia com o projeto do Pai.
(Pe. Ottorino, 1959).

sábado, 14 de janeiro de 2012

EMPENHO DE VIDA – janeiro 2012

Introdução

Para introduzir-nos a viver com intensidade a Palavra dos Empenhos de Vida destes três meses do nosso ano celebrativo, em que a Palavra a ser vivida faz referência a pontos essenciais do carisma de pe. Ottorino e nosso, escutemos o que ele nos diz sobre a atitude certa que devemos ter com a Palavra.

Jesus nos diz: “Em verdade vos digo: quem não acolhe o Reino de Deus com a alma de um menino, não entrará nele” (Lc 18,16-17). Por isso devemos acolher as coisas de Deus com a alma de uma criança... A simplicidade da criança consiste em tomar o Evangelho na mão e observá-lo como quer o Senhor. O Senhor quer que vivamos o Evangelho, que testemunhamos o Evangelho. Devemos recorrer ao Evangelho assim como ele é, como o quis o Senhor. As palavras do Evangelho, não devemos conhecê-las apenas para poder soltar sentencias, mas para vivê-las. Estamos aqui para vivê-las, não para saber dizê-las, mas para vivê-las! As palavras que estão escritas no santo Evangelho devem ser tomadas com a simplicidade de uma criança e vividas integralmente. Jesus falou assim, Jesus quer assim: eu devo fazer assim!

O instrumento do Empenho de Vida, que pe. Ottorino nos deixou, não é nada mais do que isso: viver as palavras do Evangelho com a simplicidade de uma criança e com a mesma simplicidade fazer comunicação entre nós, para nossa edificação e pela glória de Deus, o que Ele realiza em nós quando vivemos estas palavras.
Como sempre, fazemos votos recíprocos que nestes três meses, em nossa Família se produzam muitos frutos por causa da vivência em comum da Palavra de Deus. Bom Empenho de Vida!

ESTOU NO MEU LUGAR CERTO?

“Fala, Senhor, porque teu servo escuta” (1 Sam 3,10)
Continuando nossa caminhada do ano celebrativo, neste mês seremos guiados pela pergunta chave que pe. Ottorino colocou no centro de seu itinerário espiritual e carismático: “Estou no meu lugar certo?”. Manteremos na frente de nossos olhos o mosaico com as duas pedrinhas fora do lugar, que ele próprio mandou compor e que, ainda hoje, encontra-se na entrada da Casa da Imaculada,

Para responder a esta decisiva pergunta queremos deixarmo-nos inspirar pela Palavra escolhida para o nosso Empenho de Vida: “Fala, Senhor, porque teu servo escuta”. È a resposta do jovem Samuel, que mora no templo, quando durante a noite escuta uma voz que o chama pelo nome. Não reconhece que é a voz de Deus, porém o velho sacerdote Eli ajuda-o a entender isso. Eis, então que Samuel se coloca logo na escuta. E Deus revela-lhe o seu plano sobre ele a fim de renovar a fé do povo de Israel que se estava apagando.

Nós, também estamos prontos para dizer ao Senhor que nos fale porque queremos escutá-lo para estar sempre no nosso lugar certo. Pe. Ottorino nos orientará com seu programa de vida escrito como comentário ao mosaico (ver texto abaixo). Como mestre de vida que é, ele convida cada um de nós a dizer insistentemente a si mesmo, até que se torne o sentido único de sua existência e o permanente respiro de sua alma; “Existo porque sou amado por Deus. O qual tem um projeto sobre mim. Eu me realizo se acolho este projeto e me deixo guiar por Ele na aventura da vida. Não sou eu a construir o meu projeto, mas sei que aquele que, desde sempre, me ama, o pensou especialmente para mim como o dom maior para mim. Se serei obediente àquele Amor, descobrirei de ser único e irrepetível, de ter uma parte insubstituível na dança da vida e de poder dar ao mundo o melhor de mim. E nunca se apagará em mim a lâmpada da alegria.”

Este caminho do amor é o caminho de Jesus e de Maria, que amaram até o fim, sem segurar nada para si. Sua vida foi pura obediência, puro amor e, por isso, pura alegria. A luz da ressurreição, que iniciou a iluminar já no alto da Cruz, e se difundiu pelo mundo, é a luz que alcançou e atraiu a nós, também, porque por nossa vez possamos difundi-la.

Estaremos no nosso lugar certo se em cada momento, como fosse a primeira vez, recomeçaremos a dizer em toda circunstância: “Fala, Senhor, porque o teu servo te escuta”.

Como viver, então, a palavra do Empenho de Vida deste mês?


Repetindo, quotidianamente, no começo do dia, as palavras de pe. Ottorino, citadas mais abaixo, como comentário ao mosaico “Estou no meu lugar certo?”, para fazer delas a respiração de nossa alma.
Feito obediente
Existo por um ato eterno de amor e de vontade de Deus.
Apareci no tempo para realizar um projeto que Deus tem sobre mim.
Não devo opor-me à atuação do projeto que Deus tem sobre mim (Anunciação)
Por meio dos acontecimentos Deus me guia à atuação do projeto que Ele tem sobre mim. (Nascimento em Belém).
Aniquilou a si mesmo
Jesus e Maria realizaram perfeitamente o projeto do Pai (Calvário)
No Calvário, frente a Jesus e Maria, com a fronte em terra, me abandono ao projeto do Pai. A luz da Cruz me atrai como meio de redenção para mim e para os irmãos.
Ide e pregai
O amor me empurra a chamar todos os homens a estar em harmonia com o projeto do Pai.
(Pe. Ottorino, 1959).

sábado, 3 de dezembro de 2011

EMPENHO DE VIDA - DEZEMBRO 2011





Empenho de Vida – dezembro 2011

O “sim” de Maria
“Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo Tua Palavra” (Lc 1, 38).
O Evangelho de Lucas, nos primeiros dois capítulos, conta as origens de Jesus desde o seu nascimento, até seus doze anos. Sua mãe Maria está no centro do conto. À sua sombra destaca-se a discreta figura de José. Com Jesus formam a família de Nazaré, cuja história mudou o mundo. Tudo começou com o “sim” pronunciado por Maria ao mensageiro de Deus, que lhe anunciava um maravilhoso e perturbador evento intensamente sonhado pelo povo de Israel: o nascimento do Messias. Seu coração, desde menina, tinha-se preparado à espera do Senhor, mas nunca teria podido imaginar que exatamente a ela Deus teria proposto de tornar-se a mãe dEle. O diálogo simples entre Maria e o Anjo, contado no estilo essencial dos Evangelhos, coloca o “sim” de Maria a Deus, como o ponto mais alto da história da aliança entre Deus e a humanidade. Desde aquele momento Jesus, o Messias, o Salvador da humanidade, toma carne nela.
No terceiro mês do ano celebrativo queremos tornar objeto de nosso Empenho de Vida o “Sim” de Maria, para que se torne, também, o nosso “sim” a Deus. Suas palavras ao anjo queríamos que se tornassem, também, as nossas palavras: “Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo Tua Palavra”.

Mas como podemos pensar em poder ser envolvidos, também nós, no “sim” de Maria? Quanta distância sentimos entre nós e o evento de Nazaré?

Pe. Ottorino, como bom mestre espiritual, nos leva à simplicidade da vida de Maria (ver texto abaixo). Faz com que nós a sintamos bem próxima de nós. É uma jovem que caminha pelas estradas de Nazaré, que vai à fonte do povoado para pegar água. Todavia Deus a tinha pensado e preparada, desde sempre, e ela, que vivia na companhia do Espírito Santo, sentia uma clara percepção de um grande mistério, que trazia dentro de si. Assim, mesmo em meio da confusão de um mercado conseguia escutar o que o Senhor lhe dizia.

É o que poderá acontecer conosco. Também nós fomos pensados e preparados por Deus. Também nós carregamos um mistério. Somos, nós também, chamados a gerar Jesus em nós e em nosso meio. Porém, faremos isso se, mesmo dentro de nosso afazer quotidiano, em nossos pensamentos e ocupações, escutarmos os vários chamados que Deus nos faz e respondermos com os nossos “sim” quotidianos. Com os nossos muitos pequenos “sim” nos dispomos aos “sim” maiores e mais difíceis como o de Maria, para participar com ela do evento de salvação que, em Jesus, mudou o mundo.
Como viver, então, a Palavra do Empenho de Vida deste mês?

Fazendo de nossos dias, ao longo de todo este mês, uma contínua progressão de “sim” pronunciados nas simples circunstâncias de nossa vida, a fim de preparar-nos a dizer, com Maria, o “sim” maior de todos.

A vida de Maria: um “sim” contínuado ao Senhor Deus preparou desde a antiguidade os seus homens. Querem que não tenha preparado Nossa Senhora? E, então vamos a Nazaré, porque acreditamos que este seja o lugar onde o Senhor preparou Maria. Representamos-nos Nossa Senhora que vai buscar água, que caminha pelas estradas. Era um povoado pequeno, mas Ela guardava em seu coração um grande mistério. Ela, com certeza, sentia que Deus queria algo dela. Ela sentia e, passo-passo, aconteceu uma revelação interior. Nossa Senhora com certeza, tinha em si o Espírito Santo. Podemos até imaginar o que terá dito o Senhor a esta moçinha de 13-15 anos, enquanto caminhava no meio daquela bagunça de Nazaré! O seu “Fiat” foi o último toque, quando tudo já estava pronto: de fato estava cheia do Espírito Santo. Ela continuava a dizer “sim” ao Senhor mesmo enquanto estava caminhando; continuava a pronunciar seu “sim” ao Senhor, porque o dia inteiro, toda sua vida foi dizer “sim” ao Senhor. (Med. de pe. Ottorino em 23 de outubro de 1965).

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Empenho de Vida – novembro de 2011

“Disso conhecerão que sois meus discípulos:se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35)

Jesus tinha acabado de fazer o gesto mais significativo de Sua vida. Tinha se ajoelhado frente a seus discípulos e lavados os pés deles dizendo: “Também vocês devem lavar os pés uns dos outros” (Jo 13,14) Nem todos o compreenderam, antes, um o trairá, mas Ele deixa a todos o Seu mandamento novo de amarem-se uns aos outros. E acrescenta: “Disso conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros”. É esta a Palavra do Empenho de Vida que queremos pôr em prática neste segundo mês do nosso ano celebrativo. Os verdadeiros discípulos de Jesus serão reconhecidos não quando falarem dEle, mas quando derem valor às Suas palavras amando-se entre eles.
Pe. Ottorino sintetizou o mandamento novo de Jesus com a expressão “unidade na caridade”, que se tornou o emblema de sua e nossa Família. Ele foi, disso, a primeira testemunha, junto com pe. Aldo, procurando “viver e trabalhar junto” com ele na “condução comunitária” da Família desde o começo da Obra. Como testemunha nunca parou de apelar a esta “essência do cristianismo”, como ele se expressava, para que sua Família mantivesse o “selo da caridade”, “que – escreve num de seus testamentos – deve ser mantido vivo pelo Empenho de Vida”.
Na meditação que relacionamos (ver texto abaixo) confirma que a “unidade na caridade” é condição necessária para apresentar-se como “embaixadores” de Jesus. O embaixador para poder ser reconhecido como tal, deve apresentar as “credenciais” de quem o enviou. Todavia, no caso dos discípulos de Jesus, essa apresentação não pode nunca ser um fato individual. Somente pode ser feita junto com outros, porque a assinatura consiste no amor recíproco.
Quando há a “unidade na caridade” acontece, segundo pe. Ottorino, algo de extraordinário, que ele compara ao que acontece na Eucaristia na qual Jesus se torna realmente presente pelas palavras da consagração. Também pelo amor recíproco se torna presente Jesus, assim como Ele próprio prometeu: “Onde houver dois ou três reunidos no meu nome, ali Eu estarei no meio deles” (Mt 18, 20). É esta presença, fruto da “unidade na caridade” e da fraternidade, sobre a qual devemos absolutamente fundamentar nosso apostolado. Pe. Ottorino nos lembra – com um outro dos seus eficacíssimos exemplos – que quando partimos para as nossas viagens apostólicas, devemos conferir se colocamos na mala a camiseta da “unidade na caridade”, porque com ela seremos logo reconhecidos.

Como, então, viver a Palavra do Empenho de vida deste mês?

Perguntando-nos, em cada nossa ação apostólica, compromisso missionário, mas, também, em cada nossa relação, se vestimos a camiseta da “unidade na caridade” para sermos reconhecidos como discípulos de Jesus.
Vos reconhecerão pelo amor

Qual é a “credencial” que um embaixador de Deus leva consigo para garantir que é verdadeiramente um embaixador de Deus? É necessário algo que certifique este encargo: e o Senhor o definiu com clareza. Somente a caridade de Cristo atestará que nós somos embaixadores. Então acreditarão em nós e nossa palavra será eficaz. “Amem-se uns aos outros, a fim de que o mundo creia...”. (cfr Jo 17, 21). Como Jesus estabeleceu as palavras da consagração para tornar presente o Corpo de Cristo, assim estabeleceu que, por meio da caridade, nós seremos suas testemunhas e seremos reconhecidos como tais. Nós devemos, absolutamente, fundamentar nosso apostolado sobre a caridade, sobre a fraternidade. Noutras palavras, antes da camiseta que vestimos, devemos levar sempre conosco a caridade. Quando vamos nalgum lugar devemos sempre levar na nossa bagagem a caridade, a fraternidade: será este o farol que nós ligaremos e que abrirá quaisquer portas (M de pe. Ottorino, de 12 de janeiro de 1966).

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Empenho de Vida – outubro 2011

FAZER CONHECER E FAZER AMAR A JESUS
“Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda criatura”. (Mc 16,15)

Os evangelhos terminam com o convite de Jesus aos discípulos de ir pelo mundo inteiro para proclamar a Boa Notícia. Eles, um dia, tinham escutado o chamado e haviam deixado tudo para segui-Lo. Tomados, em seguida, pelo medo frente à cruz, tinham fugido. Mas, em seguida, o tinham visto ressuscitado com seus próprios olhos e tocado com suas mãos, ficando, dentro de si, a certeza absoluta que Ele ficaria para sempre com eles. Uma certeza que os incentivou a dar sua vida para poder contar a todos o que eles tinham vivido.

Na fila dos discípulos de Jesus ressuscitado, hoje, estamos também nós, filhos de pe. Ottorino, que tinha como programa de sua vida “fazer conhecer e fazer amar a Jesus”.

Junto ao pe. Ottorino, também nós ouvimos o chamado de Jesus, O seguimos e estamos prontos a torná-Lo conhecido e amado. No ano celebrativo, recém iniciado, queremos deixar-nos alcançar pela Palavra do Empenho de Vida: Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda criatura”, para reacender de um entusiasmo novo a nossa vida. O mesmo pe. Ottorino será nosso guia espiritual (ver texto abaixo). Nos lembra, em primeiro lugar, que a missão de “fazer conhecer e fazer amar a Jesus” é uma necessidade que nasce dentro de nós e não um dever que nos é imposto. Desta necessidade nos tornamos conscientes somente quando nos encontrarmos com Ele. É questão de amizade, de olhar-se nos olhos, de sentir Seu abraço, de aceitar Seu convite. Ele acredita em nós e conhece o que levamos dentro de nós, mesmo que, freqüentemente, de forma latente. Sabe de quanta generosidade somos capazes quando experimentamos a confiança de alguém. E se este alguém é Ele, estamos verdadeiramente prontos para tudo.
Mas, o que fazer para que o encontro aconteça verdadeiramente? De Sua parte, a todo instante, Ele nos procura. E, nós, o que podemos fazer?

Pe. Ottorino nos diz duas coisas: “Aproxime-se de Cristo” e “falem disso entre vocês”. É necessário que também nós façamos uns passos em Sua direção. Ele não pode fazer os passos que devemos fazer nós. Há o passo de se ajoelhar frente a Ele, da intimidade silenciosa e da oração. Há, ainda, um valor maior quando, este passo, o fazemos junto com outros irmãos ou irmãs, falando disso com eles. Assim no encontro com o Senhor, juntos com outros, o Seu sentir se torna o nosso sentir. Se houver “um pecador que resiste à graça” falamos disso com Ele e entre nós e nos responsabilizamos para ganhar este converso, porque somente “fazendo conhecer e fazendo amar a Jesus” a outrem, também nós mesmos O conheceremos e O amaremos.

Como viver, então, a Palavra do Empenho de Vida deste mês?

Perguntando-nos, no nosso diálogo com Jesus, durante os “cinco minutos da noite, antes de dormir: “Hoje, a quem fiz conhecer e fiz amar a Jesus?”. E “com quem dos meus irmãos e irmãs falei disso?”.
Quem se encontrou com Cristo, fala dEle sempre, de dia e de noite
Alguém que, verdadeiramente, se encontrou com Cristo, que se entregou a Ele, sente a necessidade de, seja de dia, seja de noite, doar-se aos irmãos: ir, pregar, evangelizar. Sente a necessidade de ir entre os pobres. Você não está buscando elogios; está procurando somente que todos conheçam a Cristo, que amem a Cristo: a você não interessa o resto. Meus filhinhos, em nome do Senhor, lhes recomendo: aproximem-se de Cristo, falem sempre destas coisas entre vocês; são as únicas coisas necessárias, as únicas armas que poderão usar. Eu quero vê-los ajoelhados, juntos, a rezar quando houver um pecador que resiste à graça, quando houver uma situação difícil, quando uma “cruz” for muito pesada nos seus ombros. Quero vê-los frente ao sacrário para cantar: “Obrigado, Senhor, porque nos achou dignos de padecer e sofrer por Seu amor”. (Cfr. Atos 5,41). Meus filhinhos, isto é Evangelho; é o que fizeram os Apóstolos; é o que Deus quer que façamos também nós! (Med. de pe. Ottorino, em 14 de dezembro de 1966).

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

EMPENHO DE VIDA – Setembro 2011

É DEUS QUE NOS AMA

“Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou”. (1 Jo 4,10).
No Empenho de Vida de setembro, em que tem início o nosso ano celebrativo lembrando vários acontecimentos importantes para a nossa Família. De modo particular celebraremos os cinqüenta anos do reconhecimento da Congregação e os 40 anos da partida para o Paraíso de pe. Ottorino. Queremos viver, neste mês, a Palavra de Deus contida na carta de João: “E o amor consiste no seguinte: Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou”. Sentimos estas palavras como um forte convite a lembrar, sobretudo, de onde e de quem vem tudo o que somos e que temos. Não somos nós que temos amado e que amamos a Deus, mas é Ele que tem amado e ama a nós. Seu amor é um amor que nos circunda e nos envolve. Quando experimentamos isso e nos sentimos amados por Ele, então se acende também o nosso amor por Ele. Afirma Agostinho, numa de suas incisivas expressões: “Não amamos se antes não fomos amados. Escutem o apóstolo João: Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”. É assim também em nossa experiência humana de relação com os outros. Os nossos pais foram os primeiros a amar-nos. Mesmo com seus limites acenderam o nosso coração com seu amor. Sem dúvida, também fizemos a experiência de freqüentemente nos bloqueamos neste dinamismo do amor, quando tivemos umas incertezas se verdadeiramente fomos amados. Mesmo em idade adulta, às vezes ficamos bloqueados em nosso amor por essas incertezas. Isto se reflete também em nossa relação com Deus. Com freqüência custamos a perceber, com sentimento de gratuidade e de alegria, o amor que Deus tem para conosco.
Neste Empenho de Vida, pe. Ottorino nos leva de novo à fonte do amor: “Meus filhinhos se dão conta que nós somos amados por Deus, cada um individualmente?... o mistério do amor! Eu sou amado por Deus! É maravilhoso colocar-se frente ao sacrário e dizer: Ali tem Cristo. Eu sou amado por Cristo!”. Mas pe. Ottorino quer que façamos um ulterior passo de crescimento. Se nós nos sentimos amados por Deus, podemos projetar este olhar de amor de Deus também no irmão e em toda pessoa. Afirma pe. Ottorino: Estão conscientes que o meu amor para vocês deve ter esta raiz: eu sei que você é amado por Deus e eu amo o que Deus ama”. Se eu sentir o amor de Deus por mim, sinto também que Deus ama todo outro filho Seu. Ama-o da mesma maneira que ama a mim, vendo em mim e no outro o que Ele colocou de maravilhoso em cada um.

Como, então, viver a Palavra do Empenho de Vida deste mês?

Recorrendo ao acompanhamento de um guia espiritual a fim de crescer na capacidade de perceber e de saborear o amor de Deus para conosco, sentindo-o projetado, inclusive, sobre todas as pessoas que encontramos.

O mistério do amor: eu sou amado por Deus.
Meus filhinhos, vocês estão conscientes que nós somos amados individualmente por Deus? Estão conscientes que o meu amor por vocês deve ter esta raiz: Eu sei que você é amado por Deus e eu amo o que Deus ama? Que devo, então, procurar fazer isso com a mesma intensidade: e se Deus amar você de maneira infinita eu deveria te amar do mesmo jeito, e se Deus quiser fazer unidade contigo eu também devo fazê-la? Ah, meus filhinhos: o mistério do amor! Eu sou amado por Deus! É maravilhoso colocar-se frente ao sacrário e dizer: Alí tem Cristo. Eu sou amado por Cristo”. Estão conscientes da profundidade desta realidade: gerado pelo Pai desde a eternidade, feito homem, menino nascido por nós, crucificado por amor a nós, sepultado, ressuscitado, juiz dos vivos e dos mortos, sentado à direita do Pai, e vencedor? E Ele é meu irmão, me conhece e me ama. Nenhum jovem apaixonado por uma moça pode ter um amor parecido, porque o amor do Senhor é infinitamente maior. O Senhor está apaixonado por mim. Pe. Ottorino.

sábado, 13 de agosto de 2011

EMPENHO DE VIDA – agosto 2011

AMAR É CONHECER A DEUS

“Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus” (1Jo 4,7).

Procurando pôr em prática a Palavra de Deus, contida na primeira carta de João, chegamos ao capítulo quarto que é o ápice de toda a carta. Encontramos aí, por duas vezes, a mais alta e perfeita definição de Deus: “Deus é amor” (vv. 8,16), que tomaremos em consideração nos próximos meses. Neste mês, meditaremos como Empenho de Vida, o seguinte versículo: “Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus”. Nele queremos, sobretudo, evidenciar e estrita relação que João estabelece entre o amar e o conhecer. “Aquele que ama – ele diz – conhece a Deus”, isto é, quando alguém ama sabe de verdade quem é Deus, que é Amor. Amando entramos em sintonia profunda com Deus, porque tendo sido gerados por Ele “à sua imagem e semelhança”, também nós somos amor. Portanto, se quisermos, de verdade, ter um conhecimento experiencial de Deus, em sua natureza íntima, deveremos amar.

Como sempre, nos deixaremos acompanhar pela sábia direção de pe. Ottorino expressa nas palavras simples e profundas do texto que citamos abaixo. Pe. Ottorino nos faz refletir sobre as três virtudes teologais, que nós possuímos através do batismo. Elas nos tornam capazes de unirmo-nos a Deus. Pe. Ottorino nos diz que: com a fé cremos na presença de Deus no mundo; com a esperança esperamos dele a ajuda necessária para chegar até Ele; porém,”com a caridade (o amor) é o próprio Deus que vem”. Ele nos ensina que, com a caridade, já possuímos a Deus, isto é, conhecemos, de verdade, quem Ele é para nós, mesmo que seja de modo imperfeito, enquanto estivermos nesta terra, sendo ainda uns “pobres itinerantes e peregrinos”. Mas nesta viagem-romaria é o próprio Deus que estimulá-nos a amar, porque é o meio infalível para conhecê-Lo e unir-nos a Ele. Pe. Ottorino dá voz à voz de Deus, certamente ecoada freqüentemente dentro dele, que nos diz: “Para frente, meu filho! Para frente, não errar o passo! Para frente, para frente! Vamos!”. “E acrescenta: Todas as ações, com a caridade, são diretas a Deus”.

São muitas as estradas que nos levam a conhecer a Deus, mas para experimentá-Lo dentro de nós de modo a saborear, de verdade, Sua presença em nós e poder dizer que, verdadeiramente O conhecemos, mesmo que de forma imperfeita, devemos sentir de forma experiencial Seu amor por nós e, por nossa vez, devemos expressar com a nossa vida o amor por Ele.

Como viver, então, a Palavra do Empenho de Vida deste mês?

Recomeçando com alegria a amar, em toda situação, em todo encontro, em toda ação, sabendo que é o meio mais eficaz para conhecer a Deus e para unir-nos a Ele.

Com a caridade é o próprio Deus que vem a mim

Com a caridade: por quanto é possível, já possuo a Deus! Com a fé eu acredito em Deus e em Sua presença no mundo; com a esperança espero alcançá-Lo, isto é, espero que o Senhor me envie a ajuda para alcançá-Lo; com a caridade é o próprio Deus que vem. Começa, desde agora, já, a união com Deus, por quanto é possível a um pobre itinerante, a um pobre peregrino que vai rumo à eternidade.

Já há uma mão de Deus estendida: “Vem, te dou uma ajuda!”, e te oferece uma ajuda. Eis, já começa a admirável troca entre a criatura e o Criador que me diz: “Para frente, meu filho! Para frente, não errar o passo! Para frente, para frente! Vamos!”. Todas as ações, com a caridade, são diretas a Deus. Temos fé, esperança e caridade? O Senhor nos deu tudo. A vela nós já temos. Temos o barco: Abrimos a vela? Se tivermos pouca fé, pouca esperança e pouca caridade a culpa não é de Deus; é porque nós não as temos desenvolvidas adequadamente. (Pe. Ottorino, M15, 8-9 de 10 de maio de 1965).

domingo, 10 de julho de 2011

EMPENHO DE VIDA - JULHO 2011

Introdução

Nesta introdução aos Empenhos de Vida dos próximos três meses queremos atingir a quanto o próprio pe. Ottorino nos disse sobre o Empenho de Vida. Eis, então, umas frases tiradas de uma palestra que pe. Ottorino apresentou, numa tarde, aos religiosos e aos noviços, durante um acampamento de verão no Monte Verena, no planalto de Asiago (Vicenza), no dia 19 de agosto de 1966.
“O Empenho de Vida deve ser algo que, de verdade, ajude a crescer na caridade...
O Empenho de Vida deveria ser quase um “compromisso mensal” alegre e voluntário cheio de calor humano e sério: um verdadeiro compromisso! Como o compromisso que, no mês de maio, a gente tomava na pregação da noite para executá-lo no dia seguinte, e sobre cujo cumprimento se devia fazer um sério exame de consciência. Portanto, o Empenho de Vida deveria ser, para nós, a mesma coisa. Somente em prazo mensal no lugar de quotidiano.
O Empenho de Vida deve ter como ponto central o Cristo. Tudo deve girar em volta de Cristo...
O Empenho de Vida leve a fazer propósitos concretos e, por conseqüência, também, a fazer um exame de consciência.
Por fim, precisaria tornar o Empenho de Vida, prazeroso, verdadeiramente prazeroso, fundamentado, sobretudo, na caridade; um meio que ajude a crescer na caridade”.
O Empenho de Vida, segundo pe. Ottorino, tem como finalidade principal fazer-nos crescer na caridade. Por isso o compara a um “compromisso”, acentuando sua dimensão de “compromisso”. É um compromisso que se assume durante um mês e sobre o qual, por fim há de fazer-se uma avaliação. Ela acontece, geralmente em ocasião do encontro comunitário para o Empenho de Vida, mas é fruto de um exame de consciência pessoal. O encontro comunitário deve ser um momento de profunda unidade ao redor de Cristo.
Pe. Ottorino, com suas sugestões, nos guie para viver com profundidade e intensidade os Empenhos de Vida destes três meses.
Desejamo-nos reciprocamente: Bom Empenho de Vida!

ACREDITAR É AMAR

“E o seu mandamento é este: que tenhamos fé no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros” (1 Jo 3,23).
Ao final do capítulo terceiro de sua carta sobre o amor de Deus, João volta a falar dos “mandamentos”, como havia feito no capítulo segundo, afirmando, mais uma vez, que eles se resumem num só, o do amor. No versículo que nós tomamos como objeto do nosso Empenho de Vida para este mês, João afirma: “O seu mandamento é este: que tenhamos fé no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros” Nele, ele quer reafirmar a íntima relação entre o crer e o amar, entre o acreditar em Jesus e no amor recíproco. Queríamos, neste mês, transformar em vida esta íntima relação, de que o nosso fundador e pai, pe. Ottorino, é um verdadeiro mestre. Deixaremos-nos, portanto, guiar pelas suas palavras a fim de continuar a realizar passos no itinerário espiritual que nos propomos durante o ano dedicado a “sermos família”.
Para pe. Ottorino a referência a Cristo é a base da caminhada do cristão, em qualquer estado de vida que ele pertença (ministro, consagrado, leigo). Ser cristão é ser de Cristo. Nós, cristãos, não podemos falar do amor de Cristo, senão relacionando-o diretamente a Cristo que é a novidade absoluta de que somos testemunhas. Como filhos de pe. Ottorino, tocados, juntos, pelo carisma dado a ele, mas, também, a cada um de nós, sentimos a alegre necessidade de sermos fiéis a esta referência constante a Cristo a fim de viver dEle. Cristo deve ser “tudo” para nós e Ele próprio nos levou aos pés do sacrário, lugar de Sua presença e, ao mesmo tempo, lugar do encontro com Ele. Um maravilhoso dom, este da adoração permanente, que nos está dando imensos benefícios.
Mas, Cristo, o que nos pede? Pe Ottorino, na linha da carta de João, nos diz: “Pede o amor ao próximo... amai-vos... tenhais compaixão uns dos outros... quero que todos sejam um, que os homens se amem... Cristo quer caridade”. E porque Cristo quer isso, pe. Ottorino acrescenta: “Por isso eu vou pelo mundo a fim de anunciar aos homens esta palavra e não estarei satisfeito até que os homens se coloquem neste caminho”. A união com Cristo, e o Seu único mandamento a ser anunciado a todos, se tornam uma única, inseparável, coisa. O acreditar e o amar nos tornam presentes constantemente uns aos outros. Por isso pe. Ottorino diz: “Para estar com Cristo é necessário, primeiramente, estar em paz entre nós” e, ao mesmo tempo: “a união fraterna é a lógica conseqüência do desejo ardente de levar a união com Cristo ao mundo inteiro”.

Como viver, então, o Empenho de Vida deste mês?
Fazendo contínua referência, em nosso dia-a-dia, a Cristo, como àquele que nos “ordena” de viver entre nós o amor recíproco a fim de comunicá-lo aos outros em cada momento e em cada circunstância.

Ao cristão Cristo pede a caridade
O Senhor pediu o amor ao próximo. Somos cristãos, abraçamos o cristianismo, devemos viver como cristãos, e ao cristão o Senhor pede isso: devemos amarmo-nos! Devemos estar unidos ao Cristo. E Cristo pede em primeiro lugar: “amai-vos; tenhais compaixão uns pelos outros”. Para estar com Cristo é necessário, primeiramente, estar em paz entre nós. Acho que este deveria ser o vínculo que nos une. A união fraterna é a lógica conseqüência do desejo ardente que cada um de nós deve ter de levar ao mundo inteiro a união com Cristo. De fato Cristo nos disse: “Eu quero que todos sejam um, que os homens se amem” (cfr. Jo 13,34). Cristo quer a caridade. E eu vou pelo mundo afora para anunciar aos homens esta palavra e não estarei satisfeito até que os homens se coloquem neste caminho. Esta é a salvação das almas! (Pe. Ottorino M47,1 de 27 de dezembro de 1965).

quinta-feira, 9 de junho de 2011

EMPENHO DE VIDA – JUNHO DE 2011

AMAR CONCRETAMENTE, COM OS FATOS



“Filhinhos, não amemos com palavras, nem com a língua, mas com obras e de verdade." (Jo 3, 18)

João é um grandíssimo teólogo místico. É quem, entre os discípulos de Jesus, mais penetrou no mistério do Amor de Deus. Porém ele é, ao mesmo tempo, muito concreto e prático. Demonstração disso são, claramente, as palavras de sua carta que vamos tomar como Empenho de Vida para este mês: “Filhinhos, não amemos com palavras, nem com a língua, mas com obras e de verdade. É, para nós, um convite preciso para viver nossa vida cristã e nossa pertença ao carisma de pe. Ottorino, bem ancorados na concretude de nossa experiência quotidiana.
Também pe. Ottorino é um grande místico e, ao mesmo tempo, um homem muito concreto. No texto que citamos repete-nos quase literalmente o que diz João: “Não basta amar somente da boca para fora”, porque o Evangelho deve ser testemunhado com os fatos (ver texto abaixo).
Pe. Ottorino, no molde da experiência de todos os santos, e com os ensinamentos da espiritualidade cristã, está convencido que este “amar” exerce um impacto, inclusive, no “campo social”, em relação ao qual ele está muito sensível. Não teme falar de exploração dos operários, exercida, inclusive, por muitos cristãos, que são cristãos somente da boca para fora, mas não o são de fato. Todavia pe. Ottorino está muito atento em não ensinar-nos simplesmente a manter uma atitude crítica, de denúncia e de protesto, na nossa vida cristã. Ela, ao contrário, exatamente para ter eficácia no contexto social, político, econômico, cultural, deve ser vivida na humildade do dia-a-dia, medindo-nos a nós mesmos com a fadiga e a dificuldade de amar nas pequenas ações, nas relações com as pessoas com quem vivemos lado a lado, na família, na vida de casal, entre pais e filhos, com os colegas de trabalho. Mas, também, nas comunidades religiosas, paroquiais e, certamente, entre nós, chamados a viver o carisma de pe. Ottorino, experimentamos as mesmas fadigas e dificuldades. Exatamente por isso o Empenho de Vida deste mês nos incitará a sermos concretos no nosso ideal de comunhão. Atentos, inclusive, a não criarmo-nos falsas expectativas. Não conseguiremos sempre amar “com os fatos e na verdade”, Seria um sonho irrealizável, que não nos ajudaria a crescer no amor verdadeiro. Se nos mantivermos, ao contrário, na humilde tentativa de tentar amar nas pequenas coisas e com os gestos simples de cada dia, nos tornaremos dóceis instrumentos da Graça que vem de Deus, a única que pode mudar o mundo.

Como viver, então, a Palavra do Empenho de Vida deste mês?

Permanecendo constantemente projetados para amar nas simples ocasiões e circunstâncias do dia-a-dia, sem preocuparmo-nos se, até ao presente, ainda não conseguimos fazê-lo, mas recomeçando sempre de novo.

Não devemos amar só de boca para fora

Os primeiros cristãos, logo que descobriam a Deus, vendiam tudo e davam o arrecadado aos pobres. Se alguém descobre a Deus, a realidade não pode ficar do mesmo jeito, impossível! A vida muda de rumo! Dar-se-ão conta disso, verão coisas maravilhosas, verão algo de verdadeiramente maravilhoso: experimentarão a alegria de assistir a uma revolução, inclusive no campo social. Um cristão que, realmente descobriu a Deus, não pode explorar o operário; um cristão que descobriu a Deus não pode ver um irmão pedindo ajuda e negar-se a fazê-lo. É fácil demais desculpar-se dizendo: “Mas... eu não sei... não saberia o que fazer...”. Se você descobriu a Deus, não pode ficar indiferente (frente à necessidade do irmão).
É preciso amar, não somente da boca para fora, mas com as obras!

(Pe. Ottorino, M134,9-11 do 03 de janeiro de 1967).

sábado, 7 de maio de 2011

EMPENHO DE VIDA - MAIO 2011

DAR A VIDA PELOS IRMÃOS

“Compreendemos o que é o amor, porque Jesus deu a sua vida por nós; portanto, nós também, devemos dar a vida pelos irmãos” (1 Jo, 16).
No versículo, que será a Palavra de Deus que nos empenharemos a pôr em prática neste mês, João mostra as raízes profundas do amor que experimenta com os irmãos de sua comunidade. São raízes nas quais nós também devemos ser enxertados no nosso caminho de fé. Escreve João: “Compreendemos o que é o amor, porque Jesus deu a sua vida por nós; portanto, nós também, devemos dar a vida pelos irmãos”. É vendo Jesus levantado na cruz que podemos conhecer que Deus deu Sua vida por nós e por todos. Quando olharmos Jesus na cruz, conhecemos o amor de Deus. João, no seu Evangelho, anota estas palavras de Jesus: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 32). A humanidade é atraída para Deus através da cruz de Jesus, aonde se manifesta o amor de Deus em sua expressão máxima.
Uma vez adentrados na órbita de Deus, atraídos por Seu amor para todos, encontramo-nos no plano inclinado que, lentamente, com a constante e quotidiana adesão de nossa vontade, nos leva a fazer o mesmo que fez e faz Deus, isto é, dar, nós também, a vida pelos irmãos. Jesus, no lava-pés, também descrito por João no seu Evangelho, diz aos discípulos: “Vocês compreenderam o que Eu acabei de fazer?... Pois bem: Eu, que Sou o Mestre e Senhor, lavei os seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros” (Jo 13, 12-14). Devemos, portanto, manter fixo o nosso olhar em Jesus Crucificado para dar, também nós, a vida pelos irmãos.
Pe Ottorino, num de seus texto que temos ao nosso dispor, para confrontarmo-nos neste mês, (ver texto abaixo), nos diz que: “um meio maravilhoso para viver a caridade é a meditação da paixão do Senhor” e num outro, ainda, que “o espírito de sacrifício gera a caridade, a fraternidade, o amor”. Também pe. Ottorino, como João, fala-nos a partir de sua experiência. Sugere-nos alguns passos, que ele próprio já fez, para a nossa caminhada espiritual: começar meditando a paixão de Jesus, passar em seguida ao desejo e à decisão de imitá-Lo dando a vida como Ele (espírito de sacrifício), e por fim realizar ações concretas de caridade, fraternidade, amor. Além disso, pe. Ottorino nos convida, no momento da meditação sobre a paixão, a imaginar de pararmos Jesus no caminho ao calvário, falar com Ele e escutar Sua resposta. E, ainda, quando formos incomodados por alguém, antes de manifestarmos a nossa contrariedade, em espírito de sacrifício, responder com um sorriso.

Como viver, então, a Palavra do Empenho de Vida deste mês?

Colocando em prática as sugestões de pe. Ottorino, ou outras que o Senhor nos inspirar, a fim de dar, nós também, como Ele na cruz, a nossa vida pelos irmãos nas pequenas ocasiões de cada dia.

Quem medita a Paixão vive a caridade

Um meio maravilhoso para viver a caridade é a meditação da paixão do Senhor. Eu, por exemplo, faço assim: represento-me a cena da paixão; imagino de parar um instante a Jesus no caminho, quando O vejo suado, cansado. E lhe digo: “Escuta, Jesus... Você que é homem e Deus. aonde vai?” – “A Jerusalém” – “O que vai fazer lá?” – “Vou morrer por ti!”. (Pe Ottorino, M89, 4-5 de 09 de agosto de 1966).
Meus amigos, sem o espírito de sacrifício não se consegue nada, perde-se tempo inutilmente!
Podem mostrar este espírito de sacrifício nas pequenas coisas, em dar uma ajuda ao irmão, no saber renunciar a um seu ponto de vista; estão fazendo algo importante e vem um irmão a pedir-lhes um favor, devem saber renunciar ao que estão fazendo, atendendo com um sorriso. O espírito de sacrifício gera a caridade, a fraternidade, o amor. (Pe. Ottorino, M245,8 de 19 de novembro de 1968).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

EMPENHO DE VIDA - ABRIL 2011

Introdução Abril - Maio – Junho


Nos próximos três meses os Empenhos de Vida estarão marcados por uma exigência de concretude. Somos, de fato, chamados a pôr em prática a Palavra de Deus, contida na primeira carta de João: no “passar da morte para a vida” (abril), no “dar a vida pelos irmãos” (maio), no “amar com os fatos”. Será esta concretude que nos ajudará a “fazer família”, conforme o objetivo que nos propomos para este ano. Porque é o amor concreto, vivido nossas relações diárias, que cria o clima que torna possível a presença de Jesus entre nós. É então que vivemos verdadeiramente “Com Cristo na família”, conforme a expressão de pe. Ottorino. Coloquemo-nos, portanto, a caminho com um grande desejo de sermos concretos. Pe. Ottorino disse, numa palestra aos seus jovens: “Se o definimos ‘Empenho de Vida’ e, depois, não o lembramos, somos levianos”. O primeiro passo que devemos fazer é o de “lembrarmo-nos” da Palavra do Empenho de Vida, isto é, memorizá-la. Recorramos a ela, pois, nos diferentes momentos do dia, talvez nos mais escuros, para iluminá-los com a luz que vem de Deus. Procuremos, finalmente, ver quais efeitos produziu em nós a Palavra nos momentos em que a deixamos atuar em nós. Será sempre uma alegre descoberta constatar seus efeitos e, assim, sentiremos a necessidade de comunicar aos outros a graça que recebemos. Esta comunicação entre irmãos produzirá um clima de grande unidade na caridade com a presença de Jesus entre nós. Eis o Empenho de Vida em seus diferentes passos. Desejamo-nos, reciprocamente, crescer neste importante instrumento de comunhão que pe. Ottorino nos deu como herança.


EMPENHO DE VIDA – Abril 2011


ABRIL: PASSAR DA MORTE PARA A VIDA

“Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama, permanece na morte”. (1Jo 3,14). O mais alto ideal para o homem é viver na comunhão da Trindade, caminhando e permanecendo na luz de Deus. É o que nos esforçaremos em fazer nestes próximos meses do ano nos nossos Empenhos de Vida, conforme a primeira carta de João, nos rastros de pe. Ottorino. Todavia sabemos muito bem que, como todo ideal, deve passar pelo crivo (peneira) da vida concreta. A vida é uma luta para fugir do mal e para fazer o bem. João nos alerta “Não amem o mundo e nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo o amor do Pai não está nele” (1Jo 2,15). Devemos defender-nos, também, de “muitos inimigos”, como os chama João. São as muitas solicitações falsas, para percorrer outros caminhos, aparentemente mais fáceis, e que não nos levam a viver na luz de Deus. Ao contrário, é necessário percorrer a estrada de Jesus para estar em comunhão com o Pai: “Todo aquele que nega o Filho, também nega o Pai. Quem reconhece o Filho, também reconhece o Pai” (1Jo 2,23). Eis, então, a Palavra a ser vivida neste mês no nosso Empenho de Vida: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama, permanece na morte”. Estas palavras descrevem a própria experiência de João e das comunidades por ele fundadas. O amor aos irmãos é uma passagem da morte para a vida. Uma passagem, com certeza, não fácil, que demanda renúncias e escolhas arriscadas. “Viver a caridade custa”, nos lembra pe. Ottorino. “É preciso pagar completamente a moeda da caridade se quisermos ficar no lugar que o Senhor nos fixou”. (ver texto abaixo). Há uma ligação inseparável entre o amor aos irmãos e a renúncia de si, que este amor acarreta, segundo toda a lógica expressa pela vida e pelas palavras de Jesus, no Evangelho. É uma lógica que encontramos gravada também na nossa experiência humana e todos nós temos dela um imediato conhecimento. Sabem disso os pais que junto à alegria do imenso amor que têm para os filhos, sabem, também, das noites mal dormidas, das ânsias, dos sacrifícios, das renúncias de que é feito este amor. Uma mãe e um pai, freqüentemente, são provados, mas, mesmo assim, nunca desistem de amar seus filhos. O amor aos filhos é o amor mais forte que existe no mundo. Mas, também, o amor dos filhos para os pais, o amor do casal, o amor dos irmãos, para poder subsistir, precisam da “moeda da caridade”. É a lei de todo verdadeiro amor, que queira parecer-se com o de Deus. É no amor de Deus que vivemos a verdadeira vida, passando pela morte a nós mesmos.


Como viver, então, a Palavra do Empenho de vida deste mês?


Amando os irmãos, sobretudo nos momentos em que se experimenta a fadiga de fazer isso, sabendo que nesta própria fadiga há uma grande oportunidade de “Passar da morte para a vida”. Pagar completamente a moeda da caridade Viver a caridade custa. É mais fácil jogar uma frase para ferir do que construir, suportar e oferecer ao Senhor uma ofensa. Isso é possível somente quando, antes, aceito a humilhação por amor a Deus e aceito o peso disso. A natureza humana, mesmo para os santos, diria: “Me fez aquele desaforo? Então, que se vire!” A minha natureza humana é assim e, talvez, a de vocês, também...! Pode ser que não chegamos a isso. Mas, às vezes, pode-se experimentar uma certa alegria, vendo os outros sofrer; talvez não propriamente alegria, mas, com certeza, menos dor, se os problemas acontecem com eles e não conosco! Saibam que a caridade custa, mas é necessário pagar completamente a moeda da caridade se quisermos ficar no lugar que o Senhor nos fixou. Muitas vezes é exatamente um modo de agir, uma frase pronunciada com um tom particular, um sorriso irônico, que podem ser verdadeiras faltas contra a caridade e, talvez, muito mais graves do que tantas outras. (Pe Ottorino, M324, 2-3.6 de 14 de outubro de 1970).

domingo, 13 de março de 2011

EMPENHO DE VIDA – Março 2011

PERMANECER NA LUZ

“Quem ama seu irmão permanece na luz e, nele, não há ocasião de tropeço”. (1 Jo 2, 10).

No segundo capítulo de sua carta, João estabelece uma ligação indivisível entre o conhecimento de Deus e a observância de seus mandamentos. Escreve João: ”Disso sabemos se o temos conhecido (Deus): se observamos os seus mandamentos.” (2,3). E ainda: “Quem afirma de permanecer nele, deve ele mesmo comportar-se como Ele se comportou”. E a atitude de Deus, a vemos reproduzida na atitude de Jesus, que se fez “vítima de expiação pelos nossos pecados; não somente pelos nossos, mas, também, pelos pecados de todo o mundo” (2,2). Deus entrega sua vida pelo mundo e manda que nós, também, façamos o mesmo. Há, portanto, um só mandamento para nós, que é “antigo” e “novo” ao mesmo tempo: “antigo” porque preparado desde sempre pelo Pai e “novo” porque se realizou definitivamente em Jesus e pode-se realizar em todos aqueles que acreditam e põem em prática sua palavra.
Quem põe em prática o “mandamento novo” (2,8) faz brilhar a luz de Deus. Eis, portanto, a Palavra de Deus que queremos viver neste mês: “Quem ama seu irmão permanece na luz e, nele, não há ocasião de tropeço”.
A luz de Deus está em nossa vida, e nela permanecemos, fazendo-a brilhar frente ao mundo, somente quando amamos o irmão, comportando-nos com o irmão como Deus se comporta com ele, isto é, amando-o. No amor permaneceremos na luz e nos tornaremos um reflexo imediato da luz de Deus. Não devemos parar, nunca, de amar para sermos luz, mas, também é verdade que, somente se permanecermos ligados à luz de Deus poderemos amar verdadeiramente. “É necessário recorrer ao sol – diz padre Ottorino – é necessário estar dentro do sol, inflamados pela luz do sol” (ver texto abaixo). É uma experiência que cada um de nós deve ter feito: ama-se verdadeiramente quando estabelecemos a relação com Deus que nos põe em sintonia com Ele. Em contato com Deus manifestaremos aos irmãos “Deus presente em nós” – como diz pe. Ottorino no seu último testamento – e ao mesmo tempo sentimos “a presença de Deus” nos irmãos. Viveremos, assim, a aventura de procurar amar sempre a todos aqueles que se aproximam de nós e não nos faltará a luz e a força de fazê-lo, a luz e a força que vêm de Deus. E, mesmo que nem sempre o consigamos, aceitaremos de fazer a experiência de nossa fraqueza e recomeçamos a amar a Deus. O que de antemão nos parece “ocasião de tropeço”, ao contrário, será uma oportunidade para amar com o verdadeiro amor que Deus nos dá.

Como, então, viver o Empenho de Vida deste mês?

Permanecendo, quanto mais possível for, na luz de Deus em nossas relações, mesmo as mais corriqueiras, com os irmãos que estão, ou que passam, ao nosso lado, para amá-los como o próprio Deus os ama.
Para ser luz do mundo devemos estar ligados à luz
Nós somos chamados a ser luz do mundo e, para dar e receber luz, para poder resplandecer no meio dos homens, que têm direito de encontrar luz em nós, é preciso ser luz, entrar na luz, é preciso recorrer ao sol, é preciso estar dentro do sol, inflamados pela luz do sol. Num certo sentido, esta luz é uma emanação da Outra luz. Não devemos ser as testemunhas e os difusores da outra luz. Não devemos simplesmente cumprir a missão que nos foi confiada, devemos dar um testemunho, mas este testemunho e esta missão não são nossos, são de Deus. Então, é necessário que nos deixemos trabalhar por Deus, porque devemos dar ao mundo a luz de Deus: como Ele quer, no tempo que Ele quer, com a intensidade que Ele quer. Deus já tem um programa para cada um de nós, mas no momento que Deus chamar, é preciso que cada um de nós esteja pronto como Deus o quer.
(Pe. Ottorino, M334,1,4 de 01 dezembro de 1970).